Skate promove inclusão social

pessoas reunidas com skate

Os shapes de skate não fazem bonito apenas em campeonatos e eventos, as iniciativas de inclusão social pelo skate promovem solidariedade e acesso ao esporte.

O skate é uma ponte sólida para construção de novos relacionamentos, um bom exemplo é a África do Sul, após o fim do Apartheid, Nelson Mandela viu no rugby uma oportunidade para seu país construir um novo relacionamento baseado na amizade, confiança e perdão.

Oportunidade para jovens

No Brasil, felizmente é possível encontrar pessoas que enxergam no skate o mesmo potencial que Nelson Mandela viu no rugby, hoje existem ONGs formadas por skatistas e entusiastas do esporte que atendem pessoas de diferentes realidades e dificuldades e para muitos dos jovens atendidos, o skate se tornou a porta de saída dos maus exemplos e entrada para um novo mundo.

Além dos jovens socialmente vulneráveis, pessoas com síndrome de down e autismo também foram beneficiados com estes projetos, com a ajuda do skate eles melhoram sua coordenação motora e equilíbrio, aumentam o círculo de amizades e superam seus limites.

ONG Social Skate

Sandro Testinha foi instrutor de skate por 10 anos na antiga Febem, atual Fundação Casa. Durante as aulas e entre as conversas com os internos, Testinha constatou que muito jovens que estavam ali, tiveram problemas com a lei por causa de amizades erradas e muitas vezes por motivos banais.

Ele notou também que parte dos jovens estavam lá por disputas, competiam entre si para ver quem roubava mais rádios de carros e eleger o melhor entre eles. Para muitos desses jovens em situação de vulnerabilidade social, a realidade poderia ser diferente se eles tivessem opção e oportunidade de praticar esportes individuais.

A grande maioria dos alunos de Testinha na antiga Febem tiveram a mesma infância que ele, o diferencial em sua vida foi justamente o esporte. Se os jovens reclusos tivessem acesso ao skate desde cedo, suas histórias seriam bem diferentes.

Após 10 longos anos como instrutor na Febem, Sandro Testinha e sua esposa, a pedagoga Leila Vieira dos Santos criaram a ONG Social Skate em 2011 no bairro de Calmon Viana, periferia de Poá. A iniciativa já atendeu 130 crianças e adolescentes só no ano de 2017 e durante sua história foram mais de 800.

Dentro da Social Skate, é oferecido também aulas de artes cênicas, café da manha, almoço e lanches. A condição para a participação dos jovens são o respeito, frequência e boas notas na escola, dedicação, responsabilidade dentre outros valores essenciais para a formação de um bom cidadão. Rony Gomes é padrinho da Ong e sempre aparece por lá para conversar com a molecada.

O trabalho de Leila e Testinha é admirado e respeitado por toda sua comunidade, os pais dos jovens que frequentam a ONG afirmam a melhoria no convívio, na autoestima, no rendimento escolar e nos vínculos familiares. Há melhorias também na saúde dos jovens, na coordenação motora e na integração social. Felizmente, o número de praticantes só aumenta.

Projeto Novos Moinhos

Na região central da cidade de São Paulo, o projeto Cristolândia ligada a igreja Batista, inaugurou uma pista de skate para os jovens residentes da cracolândia da favela do Moinho. O projeto Novos Sonhos já oferecia aulas de ballet, jiu-jitsu e futebol, agora com a pista é oferecido aulas de skate gratuitas três vezes por semana.

Na inauguração da pista estiveram presentes os skatistas Fábio Sleiman, Maurício Alvarenga e o bicampeão infantil Caíque. O projeto atende cerca de 450 crianças da região e é visto como um farol pelos pais dos jovens.

Skate Terapia

Lupércio Conde Júnior fundou em Santos o projeto Skate Terapia, ele conta que a ideia surgiu ao acaso, um dia ele viu uma criança com síndrome de down acompanhada dos pais andando de skate, ela parecia muito feliz e muito focada, Lupércio conversou com os país do jovem e eles contaram que o esporte dava mais equilíbrio, atenção e autoestima ao filho.

Com um pouco de pesquisa, Lupércio descobriu diversas iniciativas de inclusão do skate como terapia para pessoas com síndrome de down e autismo, a partir daí, procurou patrocinadores para realizar a ideia.

Em cima do shape de skate é visível o aumento da qualidade de vida dos jovens em um curto espaço de tempo. Além da melhora na habilidade motora, a prática do skate demonstrou grande aumento na interação com os familiares e formação de grupos de amigos.

Atualmente, o Skate Terapia que já recebeu apoio de cinco Rotary Clubs e espaço cedido pela Portuguesa Santista está em busca de patrocinadores públicos e privados para manter os custos do projeto, os resultados são grandiosos demais para a iniciativa deixar de funcionar.
Na zona sul de São Paulo, há 11 anos o skatista profissional Rafael Finha criou a ASRP (Associação de Skate do Real Parque). Cansados de esperar que o poder público invista no esporte, o coletivo Real Família construiu em um parque uma pista de skate com diversos obstáculos, o financiamento do projeto veio do próprio coletivo.

ASRP

No início de 2017, a ASRP passou a administrar o espaço conhecido pelos skatistas como Prafinha, um paraíso para os skatistas amadores e até mesmo os profissionais. A concessão do espaço durará até 2020.

Depois de realizar todos os trâmites, em 2016 a ASRP conseguiu investimento da prefeitura no espaço, a pista ganhou chão de concreto liso e foi ampliada. Atualmente a Prafinha atende cerca de 30 jovens de 8 a 13 anos com aulas de skate.

Após 3 meses frequentando as aulas, os alunos ganham o direito de levar o skate para casa, mas se começarem a faltar ou não forem para a escola, o skate volta para a ASRP. A ideia do projeto é antes de formar skatistas, formar pessoas de bom caráter. Com as aulas e a pista disponível, as crianças são incentivadas a deixarem de frequentar as ruas e diminuir as chances de elas serem aliciadas.

Os alunos do projeto melhoram o comportamento e o desempenho na escola e relações com a família, para Finha, o objetivo está além do skate, os alunos podem se interessar por outras áreas, como comunicação, artes, marketing, moda, enfim, tudo o que é englobado no universo do skate.

A Prafinha é um orgulho, a determinação de Rafael Finha no desenvolvimento e criação do projeto é uma inspiração para todos os skatistas. As aulas de skate realizadas pela ASRP acontecem as quartas-feiras no período da tarde e sábado de manhã.

Quintal Skate

O projeto Quintal Skate é uma iniciativa da ASU (Associação de Skate Universitário), que atua desde 2014, com 120 crianças de 06 a 14 anos das regiões de Paraisópolis, Jardim Colombo, Vila Praia, Viela da Paz, Olaria, Jardim das Palmas e Jardim Rebouças.

Em julho 2017, o Quintal Skate somou forças com a ONG Cáritas Santa Suzana e retomou as atividades. O objetivo do projeto é desenvolver responsabilidades com os materiais e equipamentos, respeito, engenhosidade e pró atividade das crianças.

As aulas são gratuitas, o Quintal Skate proporciona todos os equipamentos necessários, incluindo o skate e camisetas para que os jovens possam andar de skate com segurança. As aulas são ministradas por dois instrutores.

A parceria ASU com a ONG Cáritas conta com o incentivo da Lei Paulista de Incentivo ao Esporte do Estado de São Paulo. Mesmo com um espaço humilde, o projeto Quintal Skate vem colhendo bons frutos de seu trabalho.

Projetos por todo o Brasil incentivando jovens a subirem em um shape de skate continuam acontecendo, dê suporte a essas iniciativas, divulgue e colabore, quem anda ou já andou de skate sabe quantos benefícios vem junto com o esporte e sabe: o skate pode mudar vidas.

 

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